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	<title>O Convento</title>
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		<title>O Convento</title>
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		<title>Desencontro</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 23:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Fujo. Sei que fujo. Sei que não é chuva ou preguiça, é fuga. Sei que esta dor de cabeça não é causa, é consequência. (Talvez eu tenha criado a dor de cabeça, a preguiça e a chuva). Aí me dá &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2012/01/21/desencontro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=506&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fujo. Sei que fujo. Sei que não é chuva ou preguiça, é fuga. Sei que esta dor de cabeça não é causa, é consequência. (Talvez eu tenha criado a dor de cabeça, a preguiça e a chuva).</p>
<p>Aí me dá uma angustia de não conseguir enfrentar de novo. De saber que não é racional, que não é emocional, não é espiritual, é existencial. Eu não consigo enfrentar porque nós não existimos mais e eu não quero ver porque você não existe mais e ver é comprovar que você existe e eu também, mas nós não e que eu existo além de você existir ou não e que não dependo de você para ser.</p>
<p>Já passou, já acabou e eu não consigo ver você. Ver você significaria romper esta fantasia e minha dor de cabeça é forte demais pra eu comprovar a existência do tempo hoje. Eu prefiro ver a chuva, ouvir piano, ler algo que me massacra por dentro – o acaso é cruel e me faz ler o que me massacra por dentro quando eu escolho ter dor de cabeça para não ler você e não ser massacrada por dentro.</p>
<p>Aí me dá fome.</p>
<p>Como o tempo que acontece simultâneo, sei que você está lá e todo mundo também, talvez esperando por mim, talvez sabendo que eu não vá, talvez me esquecendo. Mas ninguém me procura e eu não procuro ninguém porque sei que neste momento simultâneo alguém vai olhar pra mim e dizer: “não veio”. Se eu fosse alguém olharia pra mim e diria: “e vocês?” e eu riria baixinho, diria que estou melhor assim – e todos nós sabemos que sou muito melhor que você e estou melhor assim. Você não é ninguém e eu serei alguém, todo mundo sabe disso melhor do que nós dois que já sabemos disso bem.</p>
<p>Mas você é capaz de estar aí e eu não.</p>
<p>Aí me dá fome das coisas que eu não vivo por ter medo de ter fome.</p>
<p>E seria tudo tão mais simples se você finalmente não existisse mais. Se você tivesse sido o que é a minha sensação do que você foi: nada. Se você fosse personagem. Se você fosse jogador. Mas com você eu não sei jogar, o tabuleiro vai embora e fico molhada na chuva que já nem está mais chovendo, com dor de cabeça, preguiça e fome &#8211; esperando você que não está onde estou porque sei onde você está.</p>
<p>Fujo deste reencontro para não correr o risco de lhe encontrar de novo, para não cair na armadilha de achar que você é qualquer coisa de especial. Você é tão banal como todos os outros de quem digo gostar só para fugir para mim mesma do não saber gostar de ninguém banal. Sua política banal, seus amigos banais, seus gostos banais, seus pensamentos banais, suas conversas banais, suas banalidades todas escancaradas em cada detalhe. Não quero ver para não perder tempo de achar que você não é banal.</p>
<p>Ou não quero ver para não comprovar que você é banal e que já acabou. E que já posso ir embora.</p>
<p>Talvez eu devesse ver você com menos chuva, preguiça, dor de cabeça e fome.</p>
<p>Talvez você realmente não exista mais.</p>
<p>Talvez eu deva ver você hoje. E foi o que eu fiz. Talvez eu ainda seja aquela pessoa que pensa demais, mas não deixa de fazer demais. Tomei coragem e banho, cheguei. Você não. Você não foi, inventou desculpas – todo mundo sabia que era desculpa. Graças ao acaso, à Deus, às nossas escolhas ou a qualquer coisa que nos tenha feito o que somos agora, eu não lhe conheço mais. Você já não existe, nem eu, muito menos nós.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/506/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=506&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Anedota da auto-ironia</title>
		<link>http://oconvento.wordpress.com/2012/01/19/anedota-da-auto-ironia/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 20:34:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu tinha um blog de citações. Há dois anos, um mês depois de lançado, o abandonei. Ontem me perguntei o porquê, quis voltar. Pensei: voltarei a publicar frases, a pedir colaborações a quem quiser dar, vou manter duas por dia, &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2012/01/19/anedota-da-auto-ironia/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=504&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tinha um blog de citações. Há dois anos, um mês depois de lançado, o abandonei. Ontem me perguntei o porquê, quis voltar. Pensei: voltarei a publicar frases, a pedir colaborações a quem quiser dar, vou manter duas por dia, não vai ser tão difícil assim e – olha que maravilha! – um blog novo. Pois bem, digitados os w’s, (eu sempre coloco os www) revisitei o site. Lá, logo a primeira citação: Antoine de Saint-Exupéry.</p>
<p>Entendi baixinho porque tinha abandonado. Fiquei com vergonha, resolvi entrar pelo administrador, deletar toda a palhaçada. Entrei. Escondido na página inicial, um recado dado de mim para mim: “Maria Giulia, postamos uma citação do Pequeno Príncipe. Entende o que isso significa? Fim de blog.”</p>
<p>Há dois anos eu já sabia.</p>
<p>Pensei em deletar o blog antes que virasse essa pessoa que publica frases de Clarice ou Caio Fernando de Abreu em redes sociais, mas resolvi deixar lá, com o mesmo aviso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/504/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=504&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Caderno</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 00:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[“Vai ser feliz! Vai viver suas aventuras! Este caderno é para ser seu ouvinte fiel, seu companheiro. Cresça em suas páginas. Eu estarei do lado de cá do Equador, crescendo em meus cadernos. Quando finalmente pudermos nos tocar de novo, &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2012/01/17/o-caderno/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=498&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Vai ser feliz! Vai viver suas aventuras! Este caderno é para ser seu ouvinte fiel, seu companheiro. Cresça em suas páginas. Eu estarei do lado de cá do Equador, crescendo em meus cadernos. Quando finalmente pudermos nos tocar de novo, escreveremos um novo caderno, à quatro mãos. Vai. Vai sabendo que espero você voltar.”</p>
<p>Ele foi, levando o caderno e a dedicatória. Trezentos e sessenta e cinco dias de viagem, trezentas e sessenta e cinco páginas escritas. As folhas narraram as mazelas e os dramas de consciência de um dono que traiu o pacto de lealdade para ganhar um green card.</p>
<p>Entre um descuido e outro, o caderno foi perdido em algum canto – no aeroporto? no café? no inferno? – deste mundo. Ele me escreveu mais de cem páginas e perdeu.</p>
<p>Eu sou este caderno: ele me escreveu mais de cem páginas e perdeu.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/498/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=498&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Magiu Pinheiro</media:title>
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		<title>Tão nova para estar morta</title>
		<link>http://oconvento.wordpress.com/2011/08/12/tao-nova-para-estar-morta/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 13:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[20 anos e um câncer. Mais seis meses, foi o que o médico deu. Tudo o que poderia acontecer em sua vida se desfez em silêncio. Faltou tempo para ser. Morreria antes dos 20 anos completos, seria uma história triste &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/08/12/tao-nova-para-estar-morta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=472&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>20 anos e um câncer. Mais seis meses, foi o que o médico deu. Tudo o que poderia acontecer em sua vida se desfez em silêncio. Faltou tempo para ser. Morreria antes dos 20 anos completos, seria uma história triste a ser contada, passiva à finitude, esquecida em mais 20.  Nenhum dos sonhos, nem um grande amor, nem uma conquista, um orgulho, um filho, um feito, uma criação, uma cura, um texto, sem um momento sequer de eternidade. Nem nome de rua seria. Deus lhe ocorreu. Primeiro como dúvida. Depois, salvação. No fim, uma ideia inútil e indiferente, sem causa ou consequência. Sua vida seria a constante e ininterrupta espera pela morte breve. Logo perderia a face angelical, o corpo rígido, os anos estudados. Morreria também seu amor às coisas e as coisas sem amor ficariam. O mundo giraria sem danos sem ela. Seu sofrimento se transformou em calma resignada e impaciente. Teria que viver intensamente. Era obrigada a existir, por enquanto. Teria que justificar os poucos anos em muita vida. Quem flerta com a morte tem que arcar com as consequências da sedução. Acolheu o fim sabendo que ele pressupunha não só o começo, mas o caminho de um para o outro. Entendeu o que há entre um orgasmo e o primeiro olhar. Teria ela que se penetrar na vida, exigir o sentido de tudo.  Espreitar a finitude é a única forma de vivê-la plenamente.  Transgrediria o fim por respeitá-lo. Saiu do marasmo e entendeu o percurso. Tinha pressa, não de reter a vida, mas de transpassar, permeabilizar o mundo. Com o fim certo, vinha o não fim, o não começo, o não eu, o não outro, o não limite. Ela e o mundo, um, contínuos. Conheceu Deus, um Deus vivo e repleto de sentido em si. Não uma salvação ou dúvida – perfeição não concebe salvação ou dúvida – um Deus que é. Sentiu-se gigante, enormemente viva.<br />
Acordou e viu que ainda teria mais 20 minutos até levantar. Mais um dia sem espera, sem pressa, sem morte, sem Deus.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/472/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/472/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=472&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dia do Orgulho dos Indecisos</title>
		<link>http://oconvento.wordpress.com/2011/08/04/dia-do-orgulho-dos-indecisos/</link>
		<comments>http://oconvento.wordpress.com/2011/08/04/dia-do-orgulho-dos-indecisos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 11:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegou ontem ao gabinete do prefeito da cidade de São Paulo um requerimento de autorização para o Dia do Orgulho dos Indecisos e pela realização de marcha em mesmo dia. O texto dizia o seguinte: “São Paulo, 19 de setembro de &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/08/04/dia-do-orgulho-dos-indecisos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=460&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou ontem ao gabinete do prefeito da cidade de São Paulo um requerimento de autorização para o Dia do Orgulho dos Indecisos e pela realização de marcha em mesmo dia. O texto dizia o seguinte:</p>
<p>“São Paulo, 19 de setembro de 2011</p>
<p>Boa tarde excelentíssimo senhor prefeito da cidade de São Paulo.</p>
<p>Venho, por meio deste, pedir a autorização para a criação do Dia do Orgulho dos Indecisos e que o senhor libere também a gente pra marchar pela avenida Paulista ou, pelo menos, que deixe a gente se reunir por lá pra conversar. Sabe o que é, seu prefeito, é que ontem eu fui na marcha do Dia do Orgulho Hétero. Eu fui meio dividido, sabe? Com uma bíblia numa mão, uma lâmpada fluorescente na outra, de camiseta preta com abadá por baixo. O abadá era só no caso dos héteros resolverem não respeitar tanto assim a moral e os bons costumes. Eles fazem isso também, sabia?</p>
<p>Fui pra Paulista e fiquei no ponto mais alto, numa escada grandona, olhando. No começo passaram uns pastores, uns bispos ou uns padres. Eles são um pouco parecidos e eu não sei dizer bem de que religião eles eram. Sei só que falaram umas coisas bonitas sobre o bem e o mal. Era bonito mesmo o que diziam, mas esses caras  passam rápido pelos nossos olhos e não dá pra ver direito se eles respeitam também a moral e os bons costumes ou dizem não ao satanás quando saem da nossa frente.</p>
<p>Depois que eles passaram por mim, veio a festa. Uma música alta, não dava pra ouvir nada. E era tanta gente que não dava pra ver ninguém direito na massa. Achei que devia descer um pouco a escada pra chegar mais perto e, aos poucos, fui vendo os rostos. Seu prefeito, o senhor desculpa falar, mas era um tal de gente dando uns beijos na boca, passando as mãos nas coisas e voltando a andar! Eles nem se falavam muito não, sabe? Só paravam, cutucavam, beijavam e voltavam a marchar. E as roupas das mulheres? Cada shortinho minúsculo, cada decote, tanta pele de fora! Tinham uns caras sem camiseta também. Mas, como quando eles se encontravam e se esfregavam cada um era de um sexo, acho que a moral e os bons costumes estavam preservados.</p>
<p>Resolvi entrar na avenida e participar da festa. Comecei a marchar junto. Eu estava andando na multidão, logo atrás de uns homens fortes, carecas, todos vestidos de preto. Eles eram tão grandes, tão musculosos, com uma bota com saltinho que os deixavam ainda maiores, com um ar tão másculo de testosterona acumulada. A gente andava e dizia umas pornografias heterossexuais quando o trio elétrico começou a tocar Lady Gaga. O senhor conhece Lady Gaga, seu prefeito? Todo mundo se olhou por um minuto e parou pra dançar. Com uns passinhos tímidos pra direita e pra esquerda, quase sem levantar as pernas ou os braços, sem quebrar a cintura, sem se movimentar ou liberar muito, com os músculos todos travados e tensos e reprimidos, a verdade é que eu nunca vi uma Lady Gaga tão chata. E acho que todo mundo achou isso, começou uma vaia sem fim, até o Dj trocar a música por uma coisa mais tradicional. E continuamos andando.</p>
<p>Fui atrás dos caras grandões. Achei tão bonito, sabe? Aqueles homens juntos, tão distantes uns dos outros, mas alguma coisa parecia que os atraia lado a lado. Andar é bom pra pensar, faz a gente viajar. E comecei a pensar e refletir e me lembrar de algumas coisas nada a ver. Pensei que tinha que voltar a comer proteína e tomar suplemento e voltar para a academia pra ficar que nem esses caras fortes. E poder fazer o que eu quiser. E, se não der pra fazer o que eu quiser fazer, eu bato em alguém até conseguir. Risos. Pensando em voltar pra academia, eu me lembrei do meu professor. Um dia a gente se trocou lá no vestiário juntos e eu lembro que pensei “Esse é o corpo que quero ter”. Ai, seu prefeito, o senhor não me leva a mal não, eu tenho namorada, só fiquei com mulher a vida toda, gosto muito de fêmea, sinto um tesão danado, mas o senhor representa minhas vontades, eu votei no senhor pra isso, preciso ser sincero. Acho que tem que conhecer meus desejos. No começo, era só admiração, eu queria ser como meu professor. Mas o senhor sabe como é, não é mesmo? Qual a graça de ser alguma coisa? Hoje em dia, o que pega é o que você tem&#8230; e eu comecei a querer ter ele, possuir ele, me alimentar dele.</p>
<p>Comecei a me sentir meio bobo quando percebi isso. Eu lá, no meio daqueles caras fortes e violentos, tendo este tipo de pensamento. Aí me veio uma dúvida. Será que no meio daquela gente toda heterossexual assumida, tinha algum simpatizante? Sim, porque aquela Parada Gay é para gays, lésbicas, transexuais, travestis, transformistas e&#8230; simpatizantes, não é? Gente que não é nada disso, mas simpatiza com os outros. E lá? Só podia ir quem fosse 100% hétero? Se alguém me perguntasse o que eu estava pensando naquele momento, o que eu diria? “Mas eu sou simpatizante, porra!”. Melhor não. Acho que eu daria um soco se fosse homem ou um puta beijo se fosse mulher e ia embora. Como ninguém perguntou, resolvi só ir embora.</p>
<p>No caminho, sentado no metrô, fiquei pensando em tudo aquilo. Foi aí que eu me toquei que se eu preferia vir pra Paulista mostrar pra todo mundo o quanto eu gosto de fazer sexo com a minha mulher ao invés de ficar em casa fazendo sexo com a minha mulher, bom, alguma coisa devia estar errada.</p>
<p>Por isso resolvi fazer esta carta, seu prefeito, pedindo pro senhor o Dia do Orgulho dos Indecisos. É que os héteros têm um dia, os gays têm a Parada. E nós, os indecisos? Sim, os simpatizantes podem ir na Parada – ainda não sei direito se podem ir na marcha dos héteros, não sei pra quem perguntar. Mas, os indecisos? Se a gente precisa separar cada grupinho em um dia, mesmo se esse grupo for a maioria, mesmo se forem os dominantes e tal, se o mundo vai ser separadinho por tipo de preferência, como ficam os que não sabem direito o que querem? Me sinto excluído,  seu prefeito!</p>
<p>Aguardo ansiosamente sua resposta,</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p style="text-align:right;">Um cidadão qualquer”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/460/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/460/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=460&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Magiu Pinheiro</media:title>
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		<title>Amar, verbo reflexivo ou Troco maçã por poesia</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 21:11:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando amamos alguém, amamos o que há de nosso naquela pessoa. Amamos, mais do que a nós mesmos, ao que projetamos de nós nos outros. Em certa medida, amamos objetos, pois não concebemos que os outros tenham desejos. Ou, se &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/07/26/amar-verbo-reflexivo-ou-troco-maca-por-poesia/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=448&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando amamos alguém, amamos o que há de nosso naquela pessoa. Amamos, mais do que a nós mesmos, ao que projetamos de nós nos outros.<br />
Em certa medida, amamos objetos, pois não concebemos que os outros tenham desejos. Ou, se o fazemos, temos que perceber estes desejos como válidos. Ou seja, em última instância, como nossos ou extensão do que nós desejamos.</p>
<p>Minha humilíssima opinião, este o mal da humanidade: simular o amor. Buscar uma razão não racional para o contato humano, uma suposta existência altruísta. A hipocrisia da relação. A verdade é que nós somos nós que habitamos.</p>
<p>E, se ao invés de fingir que o outro, nós cultuássemos a nós mesmos? Politizar-nos, erotizar-nos, assistir-nos, desejar-nos, artezanar-nos, fazer-nos, ser-nos. Poetizar-nos.</p>
<p>Perdoe. Sem nós, apenas eu.</p>
<p>Ser em si sua própria bandeira, sua atitude erótica e ética, sua arte viva e sincera. Não excluo a possibilidade do encontro, &#8211; no mínimo<br />
por termos a necessidade de espectadores &#8211; apenas não creio que seja nele nossa humanidade. Eu, em mim, t(r )oco (com) você, em si.</p>
<p>O sublime é a vida ser uma poesia. O pecado e o alimento são supérfluos ao poeta.  A vida é menos interessante do que a verdade, mas mais importante. Que ela se torne uma mentira, então. Uma bela mentira.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/448/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=448&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O aniversário da mina</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 21:06:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela é mais baixa que eu e tem uns olhos. Cara, uns olhos. Eles são pequenos e disfarçados, quase um risco. Ela olha só quando quer olhar, no resto do tempo fica escondida dentro dela. Parece que ela nem se &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/07/26/o-aniversario-da-mina/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=446&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela é mais baixa que eu e tem uns olhos. Cara, uns olhos. Eles são pequenos e disfarçados, quase um risco. Ela olha só quando quer olhar,<br />
no resto do tempo fica escondida dentro dela. Parece que ela nem se ligou na sua presença até que olha reto pro seu rosto e você percebe que, cara, você percebe que ela estava aqui o tempo todo. É de apaixonar.  E hoje é aniversário dela.</p>
<p>No aniversário da mina, ela é o centro de todas as atenções. A tensão de chegar e não ser bem recebido, saca? Isso é que estraga. Ela está<br />
linda hoje, só vendo. Me deu oi e já foi falar ali na porta com umas amigas. Ninguém conhecido, eu aqui do lado só fitando de longe. Queria chegar nela, ganhar um beijo e ser logo o príncipe encantado que tirou a princesa da masmorra no dia mais importante.  E se não rolar?<br />
Melhor não ir lá. É que não quero que ela se lembre de mim como o “cara que chegou em mim na minha festa”, mas também não quero que ela me esqueça.</p>
<p>Tudo o que faço ou não faço está multiplicado por mil. Se eu chegar agora e algum convidado chegar? Ta todo mundo olhando pra ela. E se<br />
levasse ela lá pra baixo, pedisse pra me acompanhar pra comprar uma bebida ou, sei lá, um cigarro? Mas e se ela odiar caras que fumam? Não dá, não dá pra ter um pouco de discrição ou privacidade neste lugar sem ser direto. Eu aqui no canto e ela lá no meio. Se me aproximar, viro o centro das atenções. Se me aproximar e pegar, viro o príncipe da noite. Se me aproximar e não pegar, viro o otário. Taí, daí vou embora e fico na minha, pelo menos tentei.</p>
<p>Vou chegar perto dela, ver qual é. Ela tem umas amigas bem gatas, mas nem se compara. Ela sorriu pra mim, olha esse sorriso dela, que<br />
gracinha.</p>
<p>- Gostou daqui?</p>
<p>- Gostei, gostei&#8230; cheio, né? São todos seus amigos?</p>
<p>- Pois é, veio todo o pessoal do colégio, da faculdade, do trabalho&#8230; Quer que te apresente alguém? Você veio sozinho, né?</p>
<p>- Não, não, já tô indo, vim só dar uma passada mesmo. Parabéns, curte aí!</p>
<p>- Ah, que bom que você veio, valeu.</p>
<p>Vou embora que eu não sou nem o otário, nem o príncipe e muito menos o centro das atenções.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/446/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/446/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=446&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O enterro do filho que nunca tive</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 17:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[- Meu filho, meu filho, que alívio! Ai, meu bebê, que sorte a sua, a do silêncio. Que paz! Que paz! Meu filhinho, se você soubesse a dor ardida que senti quando ouvi seu silêncio. Criança que nasce morta não &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/07/16/o-enterro-do-filho-que-nunca-tive/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=435&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Meu filho, meu filho, que alívio! Ai, meu bebê, que sorte a sua, a do silêncio. Que paz! Que paz! Meu filhinho, se você soubesse a dor ardida que senti quando ouvi seu silêncio. Criança que nasce morta não chora. Seu silêncio é a nossa morte. Meu filho, você nunca vai viver. Vai ser sempre o espectro da vida que podia ter acontecido se houvesse amor no mundo. Meu filho, meu filho. Que peso sai das minhas costas, que alívio não ouvir seu choro. Acabou a vida que você poderia ter, meu filho. Você não receberá o amor que existe só em verbo, você faz parte do que poderia ter sido. Você é a escolha não feita, o amor não exercido.</p>
<p>Seu enterro, meu filho, o enterro do filho que nunca tive e nunca terei, é a minha liberdade que devolve. Seu enterro, meu filho, me devolve a possibilidade de ser feliz. Você morrerá junto com tudo o que concebi sozinha, a espera de um futuro que morreu no seu silêncio. Seu<br />
silêncio, meu filho, é a desistência ardida e aliviada. Seu silêncio, meu filho, é a vida que para e muda de direção porque o caminho acabou.</p>
<p>Depois de anos velando o filho que nasceu morto, uma mãe pode finalmente ser o que sempre quis ser-se. Haverá  outros filhos. Talvez<br />
eles, sim, nasçam chorando, fazendo barulho. A minha ingenuidade mudou de rumo. Não é mais a espera cruel de que você chore, filho morto. É a esperança de ter filhos vivos e barulhentos. Filhos que não sejam feitos de silêncio, nem medo. Filhos reais, feitos por duas pessoas que consigam &#8211; e queiram &#8211; se olhar.</p>
<p>Filho, eu lhe jogo a última flor no caixão pedindo para você voltar à minha mente o menos possível. Quando a vida real for melhor do que a vida que você poderia ter tido, filho, talvez eu lhe traga mais flores. Você é uma pobre vítima, é aquele que não nasceu. Mas o silêncio que te matou, quis me provar que a vida é medíocre, quis me condenar à infelicidade. Você é minha melhor ironia, meu filho. Você é a certeza que perdi<br />
pelo caminho, é a prova de que a vida existe e desiste. É meu tempo perdido e devolvido. O silêncio que te matou foi meu último grito de morte. Foi minha chance de reviver.</p>
<p>Com você vai meu vazio. Ele não está mais aqui, deu lugar à uma dor amarga de ressaca. O peso nas costas, os anos que eu não tinha e me forçavam as costas, estão enterrados com você. Junto com meu filho morto, morre quem eu nunca fui.</p>
<p>Vá em paz, meu amor. Vá ser silêncio e esquecimento.</p>
<p>Agora, quero eu fazer barulho.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/435/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=435&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Fraco do eu</title>
		<link>http://oconvento.wordpress.com/2011/06/02/fraco-do-eu/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 15:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[                                                                                                                                                          O que falta ao nosso mundo é a conexão anímica” Carl Gustav Jung Somos fortes. Evoluímos, criamos o computador, a internet sem fio, o Facebook, o satélite, o Ipad, o carro, a bomba atômica. Tudo isso que nos faz &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/06/02/fraco-do-eu/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=480&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">                                                                                                                                                          O que falta ao nosso mundo é a conexão anímica” Carl Gustav Jung<br />
Somos fortes. Evoluímos, criamos o computador, a internet sem fio, o Facebook, o satélite, o Ipad, o carro, a bomba atômica. Tudo isso que nos faz o ápice da civilização nos torna também insuficientes. Há sempre um quê coletivo de força que o individuo não possui. Ainda somos humanos, ainda somos imperfeitos, ainda nos machucamos quando caímos no chão.  Nossa individualidade foi esmagada pela obrigação de sucesso e felicidade constante e sem esforço. Nos apegamos a distrações que tentem justificar a existência ao invés de realmente trabalharmo-la. Não nos permitimos a crise ou o caminho de evolução pessoal. Por isso, violentamos o outro, o diferente, como se ele fosse uma ameaça a nós por, simplesmente, nos mostrar a alteridade.</p>
<p style="text-align:left;">Não há passado hoje. Vivemos um constante presente. Explico: toda e qualquer “experiência” humana pode ser gravada, fotografada, registrada. E revivida centenas de vezes. Quando repetimos o que já fomos, não mudamos, não evoluímos. Não há risco na repetição cega de “experiências”. Fazemos do que já foi um oásis de tranquilidade, um espaço tranquilo em que podemos nos apegar. E mostrar, é muito importante mostrar, parecer perfeito e coerente. Arrastamos nossas convicções, nosso passado, nossa personalidade. Se algo atrapalha a ordem metódica que nossa expectativa criou, entendemos como um erro. E quem pode se permitir errar?</p>
<p style="text-align:left;">Falando em erro, o leitor pode se sentir incomodado com as minhas aspas em experiências. Não o sinta, existe um motivo para isso: não creio que tenhamos, na dita sociedade do espetáculo, experiências. Ou, se tivermos, elas são raras. Experiência é aquilo que lhe modifica. Não é impositivo, não é controlado, não é obrigatório. Experiência é o que passar por um sujeito. Por. Permitir-se, ser permeável, pode ser perigoso em uma grande metrópole e, exatamente por isso, nos protegemos, tornamo-nos rígidos, impenetráveis, duros. Quem age com violência contra si, age com violência contra o outro. Jesus nos pediu o óbvio: “Ama o próximo como ama a ti mesmo”. Nós o fazemos quase que inconscientemente. Se me trato como um forte, sem possibilidade de imperfeição, preciso exigir do outro a mesma perfeição. Se, segundo meu ponto de vista, não o tem, precisa ser exterminado.</p>
<p style="text-align:left;">A lógica do reprimido é clara. Eu não posso, ele não pode poder. Eu não consigo, ele não pode conseguir. Se para isso eu tiver que usar da violência, usarei. A fuga do eu me faz atacar o outro, por projeção, sem compreender que somos, ao mesmo tempo e a cada instante, parte de um mesmo nós. O outro, quando o eu não é passível de construção, crise ou frustração, torna-se o inimigo. Ele é quem está errado, quem fracassa, quem não está adaptado, quem tem os desejos que não pode ter, a cultura que não pode ter, o gosto que não pode ter, os hábitos que não pode ter, que está no lugar onde não pode estar, que reza pro Deus que não pode rezar. Somos fracos em nossas individualidades capengas, precisamos nos superiorizar inferiorizando o outro. Torno-me tanto melhor quanto menosprezo o outro. Se ele não ceder à violência verbal ou política, terá que ceder à violência imposta pela força.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/480/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/480/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=480&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mulheres de Vida Fácil</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 01:34:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Magiu Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maria Giulia Pinheiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A aula não era das melhores. Então não me peça para detalhar o contexto do enunciado. Nem é preciso: ali, entre autores, obras e enredos, ouvi o termo “mulheres de vida fácil”. Obviamente, não foi a primeira vez que escutei &#8230; <a href="http://oconvento.wordpress.com/2011/05/16/mulheres-de-vida-facil/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=430&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A aula não era das melhores. Então não me peça para detalhar o contexto do enunciado. Nem é preciso: ali, entre autores, obras e enredos, ouvi o termo “mulheres de vida fácil”. Obviamente, não foi a primeira vez que escutei a falácia, mas a primeira que me incomodou.</p>
<p>Comentei, ardilosamente, com quem sabia que receberia minha estranheza com compreensão. “Mulher de vida fácil, ‘vida fácil’. Não me parece mais fácil do que nenhuma outra”. Com a resposta, uma brincadeira terrível. “Vida fácil se pensarmos que o difícil é se reprimir”. Tomei a hipótese para mim e olhei para o lado simbolicamente. A tal da repressão, se realmente tão difícil, não seria a escolha da maioria. Não seria o “certo”, o moral. Os papeis sociais de gênero, as regras de convivência assexuadas da nossa sociedade, o discurso sexual hipócrita que recebemos e não fazemos, a fidelidade imposta coercitivamente entre casais, a importância do “não” que você, mulher, deve dizer a um certo número de propostas para não ser taxada como uma pessoa menor (e, quanta ironia, “fácil”), a violência com quem deseja e realiza o desejo: são atitudes fáceis.</p>
<p>É mais fácil seguir o modelo que nos é apresentado do que transgredir. Ainda mais quando a questão é sexual. Sexo precisa de dois, no mínimo. Para isso, há de se ter aprovação, há de se agradar. Se não agradar, retribuir: pagar, recompensar.</p>
<p>A vida das prostitutas é que é fácil: tem o sexo, tem o dinheiro. Tem a aprovação e a recompensa.  Quando dizemos e condenamos fervorosamente uma prostituta por ser uma prostituta, não nos aproximamos ainda mais – por oposição – ao comportamento amoral que imaginamos que ela tenha? Ao reclamar uma atitude qualquer de alguém como “coisa de piriguete”, de vadia ou qualquer pejorativismo, não projetamos aquilo que gostaríamos de fazer, mas nos reprimimos e, portanto, temos que reprimir no outro também? Punir alguém não é a melhor forma de nos expurgarmos da culpa de ter vontade de fazer algo, mas não ter coragem? Não estou dizendo que o desejo coletivo é o de prostituir-se, mas o de ser livre, como temos entranhado no nosso senso comum que as prostitutas são. Não pensamos que elas não tenham sua dose de moralismo, que elas sejam reprimidas também. Quem age –alheio a nós em intimidades &#8211; é sempre quem será julgado e, uma vez réu, não pode ter ele próprio uma opinião sobre si.  Nós partimos do pressuposto de que, porque elas fazem muito sexo, são livres. Qual é esta liberdade? Será que a submissão sexual é a única forma de libertação feminina (seja ela quanto ao prazer, à política ou à economia)? Será que só as prostitutas se submetem a isso? A questão hipócrita “vida fácil” está em nós porque não reconhecermos a repressão como presença, mas como a ausência.</p>
<p>“Mulheres da vida”, a forma curta, é ainda mais bonita e emblemática. Mulheres que vão à vida? Que são da vida, que pertencem a ela? Bom, não é este o pertencimento que buscamos o tempo inteiro? Pertencer à vida? Qual o contrário de ser uma “mulher da vida”? Ser uma “mulher da morte”, da repressão. Se me acusar, leitor, de romantizar demais sobre algo que não tenho proximidade suficiente, vou lhe agradecer por entender a que estou me propondo. A tirar a moralidade, a negação, através do sim apaixonado e, assim, encontrar um equilíbrio. Não as prostitutas propriamente ditas, mas do que elas representam socialmente para nós. (E, sejamos sinceros, qual a graça do sexo moralmente limpo? Do sexo patriarcal, antisséptico, do sexo entre padrões? Qual o tesão do certo? Da mulher recém saída do cabelereiro, da mulher simétrica? Qual o tesão de Narciso? Não só o tesão que (não) sente, mas o que provoca.)</p>
<p>Aqui seria o espaço da conclusão, mas não tenho uma. Ainda estou e, provavelmente continuarei por muito tempo, na fase das questões. Uma única certeza: o fácil é olhar para o outro e colocá-lo como impuro, imoral e doente ao invés de assumir-se humano e desejoso também, como seu igual. Que digam os Bolsonaros e suas violências contra aqueles que desejam o mesmo sexo. Que digamos esse nós social que julga, comenta e condena, mas não pratica, assume ou experimenta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oconvento.wordpress.com/430/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oconvento.wordpress.com/430/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oconvento.wordpress.com&amp;blog=6802916&amp;post=430&amp;subd=oconvento&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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