“Vai ser feliz! Vai viver suas aventuras! Este caderno é para ser seu ouvinte fiel, seu companheiro. Cresça em suas páginas. Eu estarei do lado de cá do Equador, crescendo em meus cadernos. Quando finalmente pudermos nos tocar de novo, escreveremos um novo caderno, à quatro mãos. Vai. Vai sabendo que espero você voltar.”
Ele foi, levando o caderno e a dedicatória. Trezentos e sessenta e cinco dias de viagem, trezentas e sessenta e cinco páginas escritas. As folhas narraram as mazelas e os dramas de consciência de um dono que traiu o pacto de lealdade para ganhar um green card.
Entre um descuido e outro, o caderno foi perdido em algum canto – no aeroporto? no café? no inferno? – deste mundo. Ele me escreveu mais de cem páginas e perdeu.
Eu sou este caderno: ele me escreveu mais de cem páginas e perdeu.