Quando amamos alguém, amamos o que há de nosso naquela pessoa. Amamos, mais do que a nós mesmos, ao que projetamos de nós nos outros.
Em certa medida, amamos objetos, pois não concebemos que os outros tenham desejos. Ou, se o fazemos, temos que perceber estes desejos como válidos. Ou seja, em última instância, como nossos ou extensão do que nós desejamos.
Minha humilíssima opinião, este o mal da humanidade: simular o amor. Buscar uma razão não racional para o contato humano, uma suposta existência altruísta. A hipocrisia da relação. A verdade é que nós somos nós que habitamos.
E, se ao invés de fingir que o outro, nós cultuássemos a nós mesmos? Politizar-nos, erotizar-nos, assistir-nos, desejar-nos, artezanar-nos, fazer-nos, ser-nos. Poetizar-nos.
Perdoe. Sem nós, apenas eu.
Ser em si sua própria bandeira, sua atitude erótica e ética, sua arte viva e sincera. Não excluo a possibilidade do encontro, – no mínimo
por termos a necessidade de espectadores – apenas não creio que seja nele nossa humanidade. Eu, em mim, t(r )oco (com) você, em si.
O sublime é a vida ser uma poesia. O pecado e o alimento são supérfluos ao poeta. A vida é menos interessante do que a verdade, mas mais importante. Que ela se torne uma mentira, então. Uma bela mentira.
“Ah, pobre amigo, nunca saibas tu como é ridículo o amor… alheio! ”
Fui na feira, mas acabaram as maçãs. Fui no campo, mas acabaram os campos. Vem cá, onde você tem plantado poesia?